ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing
Curso de Pós-Graduação em Jornalismo com ênfase em Direção Editorial
1ª Turma - São Paulo - 2011
Disciplina
EDIÇÃO E DESIGN
Professor
THOMAZ SOUTO CORRÊA
EDIÇÃO E DESIGN
ADAPTADA
PARA BLOGS
ADAPTADA
PARA BLOGS
Proposta do Trabalho:
Análise do Blog PósPoint
Aluno:
Paulo Castilho
Paulo Castilho
1. INTRODUÇÃO
Escolhi como fonte de análise para este trabalho o blog PósPoint - publicação independente produzida pelos alunos de pós-graduação em Jornalismo da ESPM.
À luz dos conceitos transmitidos nas aulas, nas palestras de profissionais convidados e no livreto “Edição e Design - Conceitos e Técnicas” pretendo mostrar alguns aspectos positivos e outros que podem ser melhorados na publicação online.
O texto contém indicação de links com exemplos para uma melhor compreensão da análise.
2. JUSTIFICATIVA DO TEMA ESCOLHIDO
Os blogs, como ferramenta para criação e divulgação de conteúdo, existem desde o ano de 1997. São cerca de 15 anos somente. Mas eles causaram uma verdadeira revolução desde que apareceram!
Com eles, ganhou força a possibilidade de qualquer pessoa em potencial produzir e compartilhar informações e opiniões pelo mundo inteiro e com o mundo todo através da internet - o que antes era privilégio da imprensa, seus veículos e profissionais.
Esse cenário de monopolização da mídia como formadora de opinião mudou com os blogs. Hoje, estas publicações mostram uma potencialidade inimaginável há cerca de apenas uma década e meia atrás.
De acordo como Jornalista Caio Tulio Costa, esse crescimento da blogosfera, hoje em dia, é maior do que o apresentado por importantes e tradicionais veículos de comunicação com seus sites noticiosos online.
A informação foi dada em outubro do ano passado, em palestra de apresentação do curso de pós-graduação em Jornalismo da ESPM.
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Todos os dias, nascem e morrem blogs!
Atualmente, de acordo com o numberof.net, calcula-se que existam cerca de 133 milhões de blogs na internet. Boa parte deles parece pouco relevante, sem atualização, atenção a um público-alvo ou uma missão editorial. A maioria dissolve-se na massa de informações perdidas na grande rede mundial de computadores.
Desta forma, pretendo com esta análise afirmar a necessidade da observância dos conceitos e técnicas de “Edição e Design” e de como o uso dessas regras permite criar um blog diferenciado em meio às centenas de milhões de blogs hoje existentes na web.
Ou seja: como este tipo de publicação digital - acessível a profissionais e amadores - pode ser considerada joio ou trigo.
3. ANÁLISE DO BLOG PÓSPOINT
Esta primeira parte da análise leva em conta os conceitos de “Planejamento e Edição”, da pág. 28 do livreto “Edição e Design”:
1. Conhecimento do leitor:
Em princípio, os leitores deste blog são os próprios alunos da pós-graduação da ESPM. O espaço é utilizado como fonte de informações sobre os assuntos relacionados às aulas e ao curso de Jornalismo com ênfase em Direção Editorial.
2. Definição clara de missão:
O blog tem a missão de ser um canal aberto ao público para trazer informações produzidas, descobertas e/ou divulgadas durante a primeira turma do curso de pós-graduação em Jornalismo da ESPM.
Entre os principais assuntos abordados estão: o mundo do jornalismo e da mídia e as transformações trazidas pela comunicação digital.
Além de servir como uma espécie de diário virtual, que registra e divulga o andamento do curso (como as aulas dos professores e a participação de jornalistas convidados), traz também materiais complementares aos dados em sala - indicados pelos professores ou mesmo descoberto na internet pelos alunos e divulgados de forma colaborativa no blog.
O objetivo é servir como pólo de divulgação das atividades acadêmicas da turma criando uma sinergia entre os conhecimentos produzidos em aula e o mundo virtual, ultrapassando os limites das salas.
3. Identidade:
O fato de ser produzido em ambiente acadêmico, numa instituição de relevância nacional na área de Comunicação como é a ESPM, faz com que o blog PósPoint tenha uma forte identidade própria com um conteúdo diferenciado se bem trabalhado.
O fato de estar ligado, mesmo que não oficialmente à instituição de ensino, traz ao mesmo tempo certa credibilidade e uma responsabilidade enorme em função disso, por conta da reconhecida reputação da ESPM em todo o país.
Esta identidade pode ser muito melhor explorada do que sido feito até hoje - não apenas entre os alunos do curso de pós-graduação, mas também por um forte público potencial, formado por estudantes e profissionais de comunicação de todo o Brasil e que podem encontrar no PósPoint informações relevantes de interesse profissional.
4. Relevância:
Por trazer alguns dos melhores profissionais do mercado, seja como professores ou palestrantes convidados das aulas, o curso de pós-graduação traz significativa relevância para o conteúdo produzido no blog.
Dessa forma, é possível atender à necessidade da demanda potencial do público com informações relevantes, inclusive com a capacidade de surpreendê-lo com conteúdo que não poderia ser encontrado em outros veículos, mesmo os dirigidos para esta área.
4. SEGUNDA PARTE DA ANÁLISE
Agora, farei a análise do Blog Pós Point tendo como referência o capítulo “Óbvios, frequentemente esquecidos”, da página 26 do livreto “Edição e Design”:
1. Quem manda é o leitor
O potencial de público do blog é muito pouco explorado, talvez por ter nascido com um viés acadêmico. Estimulando a divulgação dos posts via redes sociais foi possível ampliar a audiência.
De acordo com as medições realizadas em março e abril - meses com maior número de publicações no blog (22 e 30 posts, respectivamente) - o número de páginas visitadas chegou a mais 1200 visualizações!
Já no mês de maio (com 11 posts), as visitas chegaram a pouco mais de 500.
Assim, pode-se afirmar, com segurança, que quando há conteúdo relevante, há resposta imediata na audiência do público.
A título de curiosidade, há que se registrar aqui, conforme o gráfico abaixo, que as visualizações foram feitas também fora do Brasil: nos Estados Unidos, em países da Europa e também da Ásia!
O PósPoint pode ser maior no que tange à sua missão de divulgar conhecimentos produzidos numa instituição acadêmica de referência na área de Comunicação, mesmo que o blog não esteja oficialmente ligado a ela.
Há que se explorar mais o conhecimento deste público e descobri-lo, a fim de fidelizar e entender melhor a audiência. Afinal, quem manda é o leitor!
Assim, se descoberto melhor este público potencial, pode-se aumentar a visibilidade do blog e atrair possíveis anunciantes. Entre estes poderiam estar a própria ESPM - que encontraria no canal uma forma de consolidar sua comunicação social e imagem institucional - além de parceiros e anunciantes das publicações já produzidas oficialmente pela ESPM e que poderiam apoiar o projeto do blog.
2. O preço da qualidade editorial é a busca permanente
Apesar de ser apenas um blog, como jornalista creio que tenhamos a missão de informar o público com a mesma seriedade do que se estivesse trabalhando para uma publicação com audiência consolidada e prestígio significativamente maiores. Só assim será possível crescer!
Numa das aulas de “Edição e Design”, o jornalista José Roberto Guzzo fala dessa importância e seriedade editorial. Veja aqui o post.
É verdade que existem algumas falhas que poderiam ser melhoradas. Mas também há a tentativa dos publicadores do blog de tentar criar algo diferente. Um exemplo seria a tentativa de produzir algumas pílulas de vídeo com conteúdo exclusivo, compartilhando o ambiente das aulas da pós com o público.
Aliás, o domínio de diferentes linguagens da informação como ferramentas jornalísticas, é a próxima fronteira a ser descoberta e incorporada pelos veículos editorias - como afirmaram alguns palestrantes que estiveram presentes nas aulas de “Edição e Design”.
Abaixo alguns exemplos neste sentido, oferecem uma tentativa de oferecer informação diferenciada com seriedade, brilho e criatividade e que podem interessar ao público do blog.
3. Revista bonita vende mais do que revista feia
4. Tipo tem que ser legível
O visual do blog PósPoint é clean, com fundo branco, mostra-se atrativo e causa boa legibilidade em relação ao fundo.
Alguns posts, porém, são pouco atrativos no que diz respeito às regras de “Edição e Design”. Em alguns deles, percebe-se que são textos apenas copiados e colados, sem um cuidado maior, necessário, como pular uma linha após o final de cada parágrafo, ou mesmo colocar algum elemento visual como foto ou ilustração, na ausência de um vídeo, que ajude a atrair melhor e reter a atenção dos leitores. Segue um exemplo: Marshall McLuhan e você
Os textos assim postados (também como neste outro exemplo Blog Reinaldo Azevedo - Livro didático faz a apologia do erro) acabam deixando o visual carregado.
O leitor que encontra um post desse tipo fica desestimulado de ler ao primeiro contato com a publicação. Outra agravante é o fato de sequer ser citada a referência ao site da revista Veja, de onde foi retirado o material.
Ao compararmos as duas publicações (Veja e PósPoint), nota-se também que não houve um cuidado maior com relação às mesmas regras de legibilidade na republicação do blog PósPoint: não existem espaços entre os parágrafos e a tipologia escolhida, com letras menores que a original e com uma fonte diferente, de tamanho pequeno, dificultam a leitura.
Estes dois exemplos acima mostram a exata diferença e a dimensão importante dos cuidados de “Edição e Design” entre uma publicação profissional (como o site de Veja) e um blog acadêmico - mesmo como neste caso, produzido de forma colaborativa por alunos do curso da pós-graduação.
Estes, mesmo se tratando de jornalistas profissionais atuantes no mercado, precisam estar mais atentos às regras, conceitos e técnicas aprendidas em aula nesta matéria na hora de publicar num blog. Isso nos dá uma boa noção do quanto é importante que os jornalistas devam estar atentos às regras de edição e design aprendidas nas aulas da pós.
5. Capa existe para vender revista
Não existe exatamente uma home page num blog - pelo menos na forma como conhecemos as capas de publicações impressas ou mesmo virtuais de portais de veículos. O que os blogs trazem em suas páginas iniciais são, em geral o nome deles ou logotipo, que funciona como o título na primeira página; slogan, que funciona como um subtítulo; e informações de cabeçalho que ajudam a identificar a missão editorial da publicação.
No caso do PósPoint, uma ilustração de uma foto com o símbolo da ESPM e uma retranca que identifica o objeto editorial do qual trata o veículo. Abaixo, na primeira página, vem a sequência da relação dos posts publicados.
Aqui cabe uma outra observação de edição inexplorada no blog, possivelmente por falta de conhecimento dos outros colegas que publicam por lá: trata-se da possibilidade de colocar uma limitação para que apenas um trecho do começo de cada um dos posts apareça na página inicial.
Assim, evita-se que ela fique poluída com a aparição dos posts na íntegra, o que torna as barras de rolagem enormes e uma página de apresentação pouco atrativa e convidativa à navegação.
6. Cuidado com pesquisa: quem pesquisa não lidera.
Em relação a este item, tenho lido recentemente algumas informações na internet sobre o fim dos blogs, que poderiam ser substituídos pelas facilidades e intataneidades das ferramentas digitais, como Twitter e Facebook.
Essa discussão foi recentemente publicada pelo jornal New York Times. O artigo, escrito por Verne Kopytoff, trouxe dados sobre a diminuição das gerações mais novas na utilização de blogs desde o surgimento destas ferramentas de mídia social, mas notou o aumento do uso dos blogs pelos adultos.
Sinceramente, acredito que este seja o mesmo e velho dilema de morte das mídias mais antigas pelas mais novas que vão surgindo - da mesma forma que se falava que a internet mataria a TV, que mataria o rádio, etc…
Nenhuma mídia mata a outra. Na verdade elas encontram suas especificidades de uso à medida que vão se amadurecendo e quase sempre, em tempos de convergência na era da comunicação digital podem e devem ser complementares - como falaram vários dos palestrantes convidados nas aulas de “Edição e Design” da ESPM.
No caso de blogs, creio que eles permitam um certo aprofundamento que estas ferramentas sociais não permitem, pois são breves por natureza, instantâneas. Servem de chamariz, por exemplo, para um conteúdo que pode ser melhor explorado num blog do que em alguns poucos caracteres de divulgação de ideias e mensagens.
Há uma análise interessante sobre isso com mais informações, publicado pela analista de mídias sociais Claudia Valls, no site IDGNow! Valls faz uma metáfora para explicar isso melhor:
“Uma boa metáfora afirma que blogs são o jantar, enquanto o Facebook e Twitter são a sobremesa. Todo mundo adora sobremesa, porque é doce e sexy. Isto é particularmente verdade quando se trata de crianças, que irão apressar o jantar ou não comê-lo em absoluto, porque estão muitos animados com a guloseima. De certa forma, seu comportamento sobre a sobremesa explica o seu (não) interesse em blogs. Eles preferem o Twitter ou o Facebook.”
7. Arrisque: quem não ousa, fica para trás; quem não arrisca, não lidera.
Pela simplicidade e facilidade de publicação de conteúdo produzido por ferramentas à mão de qualquer pessoa interessada, os blogs representam uma boa chance de arriscar na exploração de formatos e integração de mídias.
Quase não são necessários grandes investimentos para abrir e fazer um blog, se compararmos esse tipo de publicação com as tradicionalmente já exploradas pelos veículos de comunicação estabelecidos nos mundos offline e online. Estes acabam tendo um comprometimento muito maior para arriscar, seja financeiro ou institucional.
Assim, os blogs trazem essa perspectiva de risco a um grau menor, possibilitando muito mais a experimentação de formas editoriais e de design para veicular informação. E claro, por serem mais livres, também estão sujeitas - da mesma forma que os veículos estabelecidos e tradicionais - a erros a cada tentativa de ser ousado.
Nesse caso o bom senso e o preparo técnico e conceitual faz a diferença entre a receita de sucesso no mundo dos blogs.
8. Revista boa é a que compram mais.
No caso dos blogs também. É o leitor quem será o maior juiz da qualidade editorial. Se ele gostar do conteúdo, será uma importante ferramenta de divulgação do blog em suas próprias redes sociais, muitas vezes por isso trabalhando a divulgação de maneira mais específica entre grupos ou comunidades que ele se relacione e que possam ter interesse direto e focado no tipo de conteúdo escrito pelo blog, que por sua vez podem trazer informações muito mais dirigidas e pertinentes a um público especializado em determinado assunto do qual trata o blog.
9.Nada substitui o talento, mas a técnica é imprescindível.
Mais uma vez, esta máxima também se aplica ao mundo dos blogs. É evidente no caso do PósPoint que, apesar da vontade de alguns alunos-colaboradores postarem material de interesse no blog, falta ainda para esta geração (mesmo que se tratem de profissionais da imprensa, já estabelecidos em seus veículos) conhecimento e treinamento para desenvolver melhor as potencialidades para fazer do PósPoint um blog de referência no mundo do Jornalismo e da Comunicação.
Potencial para isso, ele apresenta. Seja através dos conteúdos exclusivos produzidos com entrevistas em vídeo dos convidados das aulas, por exemplo, seja por conta das republicações de artigos e matérias interessantes tiradas de outros veículos e que falam do tema de interesse de seu público - hoje ainda apenas formado basicamente por estudantes da pós, mas que mostra na minha opinião um público potencial ainda pouco explorado de estudantes e profissionais de comunicação que poderiam fazer do blog PósPoint uma referência na área.
CONCLUSÃO
Não é porque qualquer pessoa hoje em dia tenha às mãos a possibilidade de simplesmente abrir um blog na internet e começar a publicar conteúdo que fará deste um veículo de sucesso, que conquiste credibilidade do público e prestígio da audiência, tão necessárias para sua existência.
É justamente a observância de alguns critérios de “Edição e Design” utilizados na forma de apresentação do produto editorial - seja este veículo feito por jornalistas profissionais ou blogueiros amadores - que farão com que se realizem estes objetivos de sobrevivência seja qual for o tipo da publicação.
Mesmo que alguns já anunciem a morte prematura dos blogs, como citado acima, muito há por se descobrir a respeito das possibilidades e usos adequados desta nova mídia - não tão nova assim... -, em especial depois do surgimento das redes sociais com o Twitter e Facebbok integradas às publicações digitais e que podem aumentar muito o alcance da informação.
Algumas fórmulas de sucesso neste sentido começam a aparecer, como no jornal New York Times - que tem servido de referência mundial para a migração de suas identidades offline e online.
Isto nos mostra que existe ainda um novo processo de descobertas e usos da comunicação digital e sua utilização em blogs. Assim, existe um bom potencial para explorar o blog PósPoint e transformá-lo num produto editorial se trabalhado de forma correta e adequada na seleção de conteúdo e em sua divulgação pelas redes sociais.
Após a avaliação proposta para este exercício, é possível concluir que existe a necessidade extrema de se conhecer as regras e conceitos de “Edição e Design” para editar um blog que tenha a pretensão de existir como uma publicação séria, crível e reconhecida pelo público a que se destina.
Enfim, ser o joio separado do trigo, ou mesmo uma ilha ou porto seguro de informação relevante no oceano de inutilidades e baboseiras possíveis de serem publicadas atualmente na internet.
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